quarta-feira, 20 de julho de 2011

O modelo comportamental na análise do TOC




Em Análise do Comportamento (AC) ambiente é tudo aquilo capaz de afetar o organismo.
Já o comportamento não é expressão visível de um outro fenômeno subjacente e inacessível, como os "processos mentais" ou "energias psíquicas". É ação do organismo e pode ser da esfera privada (pensamentos, lembranças, sentimentos, emoções, etc.) ou pública, isto é, acessível a outras pessoas (ações motoras como conversar, praticar esportes, tocar um instrumento, etc.).
Comportamento segue as leis naturais e a Análise do Comportamento (AC) nesse sentido estaria mais próxima de áreas como a biologia do que da maioria das orientações teóricas da Psicologia, que normalmente fazem uma distinção entre eventos mentais e materiais.
O comportamento é a interação entre o organismo e o ambiente. É um continuum, dividido apenas para fins de análise. Fala-se de resposta quando descreve-se uma ação do organismo (fazer birra, pensar em um poema, sentir ansiedade, etc.) e de comportamento quando, o contextualizamos em uma relação denominada "contingencial".
Um exemplo do exposto, seria ao averiguamos que um uma criança só faz birra para sua mãe no ambiente do supermercado, conseguindo assim obter os doces que tanto queria. Nesse caso estamos falando em comportamento de fazer "birra".
Segue a representação esquemática da atual contingência responsável pela emissão do comportamento de fazer birra no supermercado (lembrando que as contingências que o estabeleceram anteriormente podem ter sido diferentes):

No supermercado e na presença da mãe (Sd), o comportamento de fazer birra (R) tem grande probabilidade de ser reforçado com doces (C).

Pode-se sintetizar a relação funcional (nesse caso, uma contingência de 3 termos) assim:


Sd --> R --> C


"Sd" são as iniciais de "estímulo discriminativo" e serve para definir o contexto no qual uma dada resposta (comportamento) é emitido. Já o "R" denota a "resposta" e o "C" denota a "consequência", no caso do exemplo citado acima, um "reforço positivo" (R+).

Poderíamos então, traduzir da seguinte forma:


Sd --> R --> R+


ANÁLISE COMPORTAMENTAL APLICADA NO TOC

Pensar em contaminação (eventos privado) e lavar as mãos (evento público) são comportamentos operantes. Um não causa o outro.
Não se pode mudar comportamentos diretamente, mas sim alterar as contingências de reforço dos quais eles são função. Sendo assim, a variável independente (fator de causa) é o procedimento que elimina ou altera o altera o primeiro elo do encadeamento (nesse caso, pensamento de contaminação) o que causa a alteração dos elos seguintes.
Sendo assim, o foco de análise não é centrado nas "crenças" (regras e autoregras) do paciente: "Eu tocar em um objeto não significa que me contaminei", mas no procedimento que produziu tal mudança. Tanto o é, que algumas vezes é possível eliminar o "pensamento" (evento privado) de contaminação, mas não os rituais de limpeza (podendo ocorrer o inverso: muda-se o comportamento compulsivo e o pensamento obsessivo de contaminação perdura).
Algumas vezes basta alterar um elo, que ao perder a função de Sd ou S pré-aversivo (S= estímulo) interromperá uma cadeia comportamental ou dará origem a uma nova cadeia de respostas e que, pode ser mais adequada. Ex.: mudando um pensamento aversivo de contaminação, o encadeamento que inclui a ansiedade e a compulsão de de lavar as mãos (o que eliminará o efeito da contaminação) também muda. Algumas vezes, outros procedimentos serão necessários. Seguem os procedimentos existentes:

1) Descrever para o cliente as contingências de reforço que deram origem à auto-regra. Se o cliente constatar que emite o comportamento que foi aprendido sob contingências que não descrevem os eventos reais, poderão ser eliminados e substituídos por outros comportamentos apropriados, desde que sejam alteradas, na direção apropriada, as contingÊncias de reforçamento em operação;

2) Proceder a orientação familiar, visando reorganizar as contingências de reforçamento sociais que vêm mantendo e reforçando diferencialmente os padrões comportamentais indesejados. substituindo-as por contingências de reforço contingentes a comportamentos desejados;

3) Impedir o cliente de emitir o comportamento de fuga-esquiva supersticioso de tal forma que passe a discriminar que a moléstia não ocorre, mesmo não tendo se "descontaminado". Inicialmente desencadeia-se forte ansiedade, mas com a constatação de que nada aconteceu, o CS pré-aversivo (objeto que contamina) perde a função aversiva.

4) Aumentar o contato do cliente com as condições de contaminação. Esta técnica deve ser associada com a anterior, de modo a acelerar o processo. Trata-se de extinção operante e de extinção respondente.

5)Procedimento de reforçamento positivo de comportamentos incompatíveis com comportamentos de fuga-esquiva. Instalar comportamentos de "contaminar-se" e consequenciá-los com eventos reforçadores para o cliente (ex.: atenção e elogio, que são reforçadores sociais generalizados positivos para a maioria dos indivíduos).

6) Procedimento de reforçamento positivo diferencial de quaisquer outros comportamentos, exceto os indesejados (DRO). Ex.: instalar outros comportamentos que produzem reforços positivos sociais e não sociais, arbitrários e naturais, objetivando ampliar o repertório de comportamentos do cliente.


Referências

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